quinta-feira, 16 de abril de 2015

As cores #3 - Proj. #2

No último post falei sobre a cor: em que consiste, os dois tipos de cor que existem, a existência de cores complementares e a ligação das cores com a cultura. Agora vou abordar a psicologia da cor.


Associações que fazemos às cores



A inteligência, memória, experiência, história e a cultura desempenham um papel muito importante no modo como percebemos as cores: através da história, por exemplo, as cores ganham determinadas associações que derivam quer da sua natureza quer da psicologia humana; já a partir da memória relacionamos a cor a determinados factores. Isto não significa que toda a gente percepcione as cores de modos diferentes, apenas significa que essas percepções têm significados ligeiramente diferentes dependendo do nosso background psicológico e cultural.

As cores têm associações simbólicas em todas as sociedades e em todas as culturas dependendo dos contextos: diferentes culturas aplicam diferentes significados à mesma cor.
Por exemplo, todos nós associamos o preto à cor da morte e do luto no entanto, em alguns países como a China e a Índia, essa associação é feita à cor branca. Na Europa sempre que queremos encontrar uma caixa de correio procuramos por uma caixa vermelha mas se fossemos aos Estados Unidos isto não iria resultar: lá as caixas de correio são azuis. Ou seja, o significado das cores muda consoante mudamos de país ou conforme o tempo vai avançando: existem variações quer a nível temporal quer a nível espacial.
Apesar destas mudanças naturais algumas cores têm características universais. O vermelho, o laranja e o amarelo estimulam os sentidos e são percepcionados como sendo cores "quentes" pela sua capacidade de exercitar sentimentos de estímulo, carinho ou até agressão. Já o azul e o verde, sendo cores "frias" estão associadas à calma , à paz, à segurança e à depressão. As primeiras, devido às suas características, podem aumentar a temperatura corporal e fazer subir a tensão, já as outras têm um efeito relaxante. Ao realizarmos estas associações é natural que, aquando da criação de publicidade ou até de inforgrafias, se tenha muita preocupação em escolher as cores certas para que se façam as associações mais correctas. Deste modo, quando queremos chamar a atenção para um perigo usamos cores como o amarelo e o vermelho pois são cores fortes que associamos ao perigo.


O significado das cores primárias 




Vermelho



Está associado ao fogo e ao sangue. Associamos muitas vezes ao amor (muito devido às rosas vermelhas), à sexualidade, ao Natal, ou até à sorte. Está ainda muito ligado à paixão, à energia, ao entusiasmo, à excitação, ao calor e ao poder. No entanto, possui também associações mais negativas: está associado à revolução, à burocracia, ao perigo, à agressão, à raiva, à crueldade e à imoralidade.
A nível visual é a cor mais dominante de todas sugerindo acção e velocidade graças ao seu carácter intenso e agressivo. Devido à sua visibilidade os sinais e as luzes de STOP, as luzes de aviso e o equipamento dos bombeiros são todos pintados de vermelho. O vermelho é a cor mais comum nas bandeiras nacionais
Como já disse anteriormente, o significado das cores muda consoante o país: em África o vermelho simboliza a morte; na Ásia associa-se ao casamento, à prosperidade e à felicidade; na França é símbolo de masculinidade.


Diferentes tons de vermelho
Amarelo 



Ao amarelo associamos a luz do sol, o ouro e a esperança. Tem uma ligação com o intelecto, a sabedoria, o optimismo, o brilho e a alegria. Por outro lado também está associado à inveja, à cobardice, à fraude ou à doença. Esta é uma cor muito importante pois é a primeira que o olho humano detecta devido ao facto de ser a mais brilhante - é o centro de luminosidade mais alta do espectro, possuindo o mais alto valor de reflexão. Devido a todo este brilho pode torna-se fatigante e irritar os olhos. Por estes motivos é muito usada para apresentar avisos. No entanto existe também tons de amarelos mais pálidos e, nesse caso, pode ser uma cor auxiliar de concentração (daí ser a utilizada nos post-it originais).
Mais uma vez em diferentes culturas fazem-se diferentes associações: na Índia é símbolo de comerciante ou de agricultor; na cultura Hindu é a cor da Primavera; no Japão está associada à coragem; no Egipto é usada em alturas de luto e por fim na cultura budista é a cor dos robes dos padres.


Diferentes tons de amarelo 
Azul 


Quando pensamos na cor azul a primeira coisa que nos vem à mente é, provavelmente, o céu ou a água. Esta é uma cor associado ao conhecimento, à frescura, à paz, à masculinidade, à contemplação, à justiça, lealdade e inteligência. Contudo, também é uma cor símbolo de depressão, frieza, desapego e apatia. Praticamente não existem alimentos azuis, como tal, é uma cor que suprime a fome pois quando a vemos não a associamos necessariamente a nenhum tipo de comida. Além disso, faz com que o corpo produza substâncias que nos relaxam, havendo até quem defenda que as pessoas são mais produtivas quando trabalham em salas pintadas desta cor.

Na maior parte do mundo está muito associada à masculinidade mas, no caso da China, esta é usada nos membros do sexo feminino. Na cultura ocidental significa amor.


Diferentes tons de azul
O significado das cores secundárias 


Verde 




O verde é por excelência a cor da Natureza: as plantas, o ambiente, o natural, a Primavera e a juventude. É uma cor calma que muitas vezes é utilizada em hospitais com esse mesmo propósito. Associa-se à fertilidade, ao dinheiro, ao crescimento, à cura, ao sucesso, à harmonia, à juventude e à honestidade. Como todas as já vistas anteriormente também pode ter uma conotação negativa: avareza, inveja, veneno, corrosão e inexperiência. O verde, como todas as outras cores que existem, pode ter diferentes tons: o verde azulado é considerado a cor mais fria de todas as existentes.
Esta cor é simbólica do Islão- lá associa-se esta ao paraíso - e da Irlanda. Na cultura Celta o "Homem Verde" era o deus da fertilidade, nas culturas nativas americanas está ligado com o arbítrio.


Diferentes tons de verde

Roxo


Esta é a cor da realeza e da espiritualidade. Está muito associado à luxúria, à sabedoria, à imaginação, à sofisticação, à classe e ao misticismo. Por outra perspectiva está também ligado à loucura, crueldade, exagero ou até excesso. Estando muito ligado ao romantismo e ao feminismo é, muitas vezes, associado à homossexualidade masculina. Esta é uma cor rara na natureza mas muito usada na decoração dos quartos das crianças pois há quem defenda que estimula a imaginação. 

Mais uma vez existem associações específicas variáveis conforme o país: na América latina significa morte; na Tailândia é símbolo de luto; já no Japão representa cerimonia, esclarecimento e arrogância. 


Diferentes tons de roxo
Laranja 


Associado ao Outono e aos citrinos esta é a cor da criatividade, ao fortalecimento, à energia e vibração, à sociabilidade, saúde e extravagância. Está também ligado ao barulho e à crassidão. 

O laranja estimula o apetite, o pensamento e a vontade de comunicarmos com os outros. 
Ao nível cultural na Irlanda está ligado ao movimento Protestante da Irlanda do Norte; nas culturas Nativas da América é a cor da aprendizagem e dos cargos ligados à nobreza; na Holanda é a cor nacional. 


Diferentes tons de laranja


O significado da cor terciária : Rosa



Rosa 


Cor-de-rosa significa romantismo, ternura, ingenuidade, doçura, inocência. O rosa é a cor das emoções, dos afectos, da compreensão, do companheirismo e do romance. Representa os sentimentos ligados ao coração, como o amor verdadeiro. Esta é uma cor emocionalmente descontraída, que influi nos sentimentos convertendo-os em amáveis, suaves e profundos. No sentido figurado significa feliz, próspero ou alegre - "futuro cor-de-rosa" ou "sonhos cor-de-rosa". Existem muitas tonalidades de rosa : aos tons de rosa claro são atribuídas conotações ligadas ao amor e ao romantismo; os tons de rosa escuro estão associados à sensualidade e à sedução feminina. Culturalmente é usualmente associada ao universo feminino; em alguns países Asiáticos e Orientais está ligado ao casamento; na Coreia significa confiança e no Japão é uma cor popular usada tanto por homens quanto mulheres; já na África está ligada à pobreza.


Diferentes tons de rosa
O significado das cores neutras
Preto 
Cor da morte e da noite, o preto representa o medo, a negatividade, a maldade, a submissão, a melancolia, o luto, o remorso e o vazio. Apesar de ter uma conotação predominantemente negativa pode também estar associado ao poder, à sofisticação, à dignidade, à seriedade, ao mistério e à formalidade. O preto é muitas vezes associado às sociedades secretas . No aspecto cultural na China o preto é a cor do sexo masculino; na Ásia em geral está associado à carreira, ao conhecimento, ao luto e penitência; na América e Europa é a cor da rebelião. 


Preto
Branco 
Está associado à luz e à pureza, à perfeição, ao casamento, à virtude, à inocência, à luminosidade, à suavidade, à santidade, simplicidade e verdade. Apesar de ser pouco associado a factores negativos a verdade é que está ligado à solidão e à fragilidade. O branco simboliza o luto na China e no Japão; em TODO o mundo é símbolo de paz; na Índia as mulheres que vestem branco convidam a infelicidade; no Ocidente associa-se aos deuses e aos anjos. 
Branco
Cinza 
Cor da neutralidade, do equilíbrio, da segurança, confiança, modéstia, maturidade, inteligência e sabedoria. Também é sinónimo de falta de compromisso, incerteza, escuridão, indecisão, mau tempo, tristeza. O cinza é a sua própria cor complementar. Para os Nativos Americanos está associado com honra e amizade; na Ásia significa pessoas úteis; na América representa a indústria; em TODO o mundo associa-se à prata e a dinheiro. 


Diferentes tons de cinza

O significado do dourado e do prateado 
Estas duas cores são sinónimos de luxo. No ecrã é impossível simular qualquer uma destas duas pois são cores metalizadas e só temos uma percepção real do seu brilho ao vê-las aplicadas em materiais físicos. 


O dourado e o prateado

segunda-feira, 13 de abril de 2015

As cores #2 - Proj. #2

Já aqui falei, ainda que de modo muito breve, nas cores. Hoje resolvi explorar um pouco melhor este tema principalmente para entender o poder que estas têm na formulação de sentimentos e de ideias.

cor é uma percepção visual provocada pela acção de um feixe de fotões sobre células especializadas da retina que transmitem, através de informação pré-processada no nervo óptico, impressões para o sistema nervoso.
Um objeto terá determinada cor se não absorver os raios correspondentes à frequência daquela cor. Ou seja, um objeto é verde se absorve as frequências fora do verde. A cor está então relacionada com os diferentes comprimento de onda do espectro eletromagnético. A cor é luz, como tal, a cor branca resulta da sobreposição de todas as cores primárias (verde, azul e vermelho), enquanto o preto corresponde à ausência de luz. Uma luz branca pode ser decomposta em todas as cores por meio de um prisma - na natureza esta decomposição é o que está na origem do arco-íris. 
"Color is a property of light. Our eyes see only a small part of the electromagnetic spectrum. Visible light is made up of the wavelengths of light between infrared and ultraviolet radiation (between 400 and 700 nanometers). These frequencies, taken together, make up white (sun) light.White light can be divided into it's component parts by passing it through a prism. The light is separated by wavelength and a spectrum is formed. Sir Isaac Newton was the first to discover this phenomenon in the seventeenth century and he named the colors of the spectrum. " (1)
A cor é, como já disse mais acima, percebida através da visão mas esta é algo que nos é tão familiar que se torna para nós difícil compreender que ela não corresponde a uma propriedade física do mundo mas sim à sua representação interna - a nível cerebral. Ou seja, os objectos não têm cor; a cor corresponde a uma sensação interna provocada por estímulos físicos de natureza muito diferente que dão origem à percepção da mesma cor por um ser humano. Não notamos, por exemplo, nenhuma diferença fundamental na cor dos objectos familiares quando se dá uma mudança na iluminação. A isto chama-se constância da cor e é este fenómeno que faz com que a maioria das cores das superfícies pareçam manter a sua aparência mesmo quando vistas sob uma iluminação muito diferente. O que vemos não é  então exactamente «o que está lá fora»: corresponde antes a um modelo simplificado da realidade que é de certeza muito mais útil para a nossa sobrevivência. O nosso sistema sensorial faz com que nós perente diferentes tonalidades as categorizemos, associando determinados nomes a certas bandas de tonalidade (com uma definição extremamente vaga). É este hábito humano de categorizar que nos faz imaginar que o nosso sistema nervoso faz uma detecção «objetiva» de uma determinada cor que existe no mundo exterior.

Diferentes tonalidades

Para o nosso sistema visual, as cores permanecem fundamentalmente invariáveis, embora seja tão difícil conseguir que esse tipo de objecto fique com a cor certa num monitor de televisão. A cor não tem só que ver com os olhos e com a retina mas também com a informação presente no cérebro. Enquanto que se tivermos uma iluminação fraca um determinado objecto cor de laranja pode ser visto como sendo amarelado ou avermelhado,  se esse objecto nos for familiar (uma laranja por exemplo) vemos mais facilmente a sua cor certa porque é um objecto de que conhecemos perfeitamente a cor. Ao mesmo tempo se usarmos durante algum tempo óculos com lentes que são verdes de um lado e vermelhas do outro quando tiramos os óculos, vemos, durante algum tempo, tudo esverdeado quando olhamos para um lado e tudo avermelhado quando olhamos para o outro. 

Os dois "tipos" de cores ...

Quando falamos em cor temos que distinguiar a cor obtida aditivamente (cor luz) ou a cor obtida subtractivamente (cor pigmento).
No primeiro caso - chamado de sistema RGB2 - temos os objectos que emitem luz (monitores, televisão, lanternas, etc.) em que a adição de diferentes comprimentos de onda das cores primárias de luz Vermelho + Azul (cobalto) + Verde = Branco.
O segundo caso (subtractivo ou cor pigmento) é o que ocorre ao nível das impressoras para imprimir etiquetas e embalagens e serve para obter cor com pigmentos (tintas e objetos não-emissores de luz). Neste basicamente mancha-se uma superfície sem pigmentação (branca) misturando-lhe as cores secundárias da luz: Ciano, Magenta e Amarelo. Subtraindo estes três pigmentos temos uma matiz de cor muito escura, muitas vezes confundido com o preto. 
Este também é conhecido como sistema "CMYK" : O "K" da sigla corresponde à cor "preto" (em inglês, "black"); o C à cyan (ciano);  o M remete para o magenta; o Y para o yellow (amarelo).
Alguns estudiosos afirmam ainda que a letra "K" é também uma referência a palavra "key", que significa "Chave". O "preto" é considerado como "cor chave" na indústria gráfica, uma vez que ele é usado para definir detalhes das imagens. 
As cores primárias de luz são as mesmas secundárias de pigmento, tal como as secundárias de luz são as primárias de pigmento. A principal diferença entre um corpo azul (iluminado por luz branca) e uma fonte emissora de  azul é que o pigmento azul está a absorver o verde e o vermelho refletindo apenas azul enquanto que a fonte emissora de luz azul emite efetivamente apenas azul. Se o objeto fosse iluminado por essa luz ele continuaria a parecer azul. 

As cores e a cultura 

Culturas distintas podem ter diferentes significados para determinadas cores. A cor vermelha foi utilizada no Império Romano, pelos nazis e comunistas. Usualmente é também a cor predominante utilizada em redes de alimentação fast food. O vermelho é a cor do sangue e naturalmente provoca uma reação de atenção nos indivíduos. Outras cores possuem significados diferentes em culturas diferentes.
Símbolo Nazi

Na pintura, escultura, arquitectura, moda, cerâmica, artes gráficas, fotografia, cinema, espectáculo etc, ela gera de emoções e sensações. A cor tem vida em si mesma e sempre atraiu e causou no ser humano, predilecção por determinadas harmonias de acordo com factores de civilização, evolução do gosto e especialmente pelas influências que a arte marca.

As cores têm assim uma dimensão física e uma parte mais emotiva 

As cores complementares 

Cores complementares são aquelas que mais oferecem contraste entre si. De acordo com a definição de Michel Eugene Chevreul, no século XIX, a cor complementar de uma matriz é aquela que mais absorve seu espectro.

"In the case where the eye sees at the same time two contiguous colors, they will appear as dissimilar as possible, both in their optical composition [hue] and in the height of their tone [mixture with white or black]." Michel Eugene Chevreul
O complemento de uma cor primária (*) será uma cor secundária  e vice-versa. Ou seja, o complemento de uma cor primária será a cor resultante da mistura de duas outras cores primárias. Por exemplo, a cor complementar do vermelho será o verde porque esta cor resulta da mistura de duas cores primárias que não o vermelho.

 "Of colors of equal lightness, that will look brightest which is against the darkest background, and black will display itself at its darkest against a background of greatest whiteness. And red will look most fierce against the yellowest background, as do all colors surrounded by their directly contrary color." (2)


Quando duas cores complementares se juntam o resultado é uma cor neutra - podemos até obter o preto quando as porções misturadas são iguais.

(*) - Cores primárias são conjuntos de cores que podem ser combinadas para criar outras cores. Para as aplicações humanas, três cores primárias são normalmente usadas, já que a visão colorida humana é tricromática. 

(1) - Design Notes: Color. http://daphne.palomar.edu/design/color.html, acedido a 12 de abril de 2015.
(2) - Michel Eugene Chevreul

Tipografias famosas feitas manualmente - Proj. #2

A unidade curricular para a qual este blogue está a ser desenvolvido realmente desperta, em nós, uma nova atenção para o mundo no qual estamos envolvidos. 
A verdade é que muitas não damos "nada de novo" nela - claro que exploramos mais intensamente temas básicos como o papel da cor - mas ela sensibiliza-nos e mostra-nos que muitas vezes ignoramos e damos como garantido coisas maravilhosas, cheias de significado e simbologia. 
As recolhas fotográficas que somos incentivados a realizar são a prova viva disso mas, estas pequenas publicações, também têm o seu papel. Com este post, por exemplo, quero mostrar um vídeo que um amigo meu partilhou no facebook e quem, há um mês atrás, eu possivelmente teria ignorado mas que, graças à aula passada focada no tema "Tipografia", me prendeu a atenção e me deixou fascinada e curiosa. 
E é esta a verdadeira importância da exploração de todos estes conceitos: ficarmos mais despertos para as potencialidades do mundo que nos rodeia. 

Deixo o vídeo : 


Tipografias na Net #1 - Proj. #2

Após a pesquisa mais teórica anteriormente apresentada resolvi explorar a vertente mais prática associada ao tema da tipografia. 

Fica o resultado; 










A tipografia está presente em todo o lado...





A tipografia também inclui números ...








 A tipografia pode ser realizada com recurso a vários tipos de materiais ...







O que é a Tipografia #1 - Proj. #2

Hoje vou revelar um pouco da minha pesquisa sobre tipografia.

A palavra "tipografia" é proveniente do grego e significa "forma" - typos -  "escrita" - graphein.
Esta consiste no processo de criação a composição de um texto, seja este físico ou digital. Segundo a definição do Grande Dicionário da Língua Portuguesa, tipografia  é o “conjunto de procedimentos artísticos e técnicos que abrangem as diversas etapas da produção gráfica (desde a criação dos caracteres até a impressão e acabamento), espelhados  no sistema de impressão directa com o uso de matriz em relevo; imprensa”.
Assim como no design gráfico em geral o objectivo principal da tipografia é o de dar ordem estrutural e forma à comunicação. Uma composição tipográfica deve ser legível e visualmente envolvente mas de modo a ter sempre em consideração o contexto em que é lida e os objectivos que estão associados à sua publicação. Assim, a tipografia pretende atrair o leitor e contextualizar-se com o conteúdo e com o intuito da publicação.

Na tipografia o interesse visual realiza-se através da escolha adequada de fontes tipográficas, da composição (ou layout) do texto, da sensibilidade para o tom do texto e da relação entre o texto e os elementos gráficos na página - todos estes factores são combinados de modo a que a composição final esteja de acordo com o conteúdo abordado e de forma a que haja harmonia entre todos os elementos presentes na página.
No caso dos media impressos, por exemplo, os designers gráficos (ou seja os tipógrafos) preocupam-se, principalmente, com a escolha do tipo de papel adequado, de tinta e dos métodos de impressão utilizados.


Um pouco de história ... 

A tipografia, utilizada como ferramenta da indústria gráfica, inicialmente, era uma tarefa de tipógrafos. Contudo, após algum tempo surge uma actividade especializada no desenvolvimento de tipos. Esta tarefa, que passou a ser chamada de designer de tipo, era realizada por gravadores de tipos muitos antes do termo designer se vulgarizar. Alguns dos mais importantes designers de tipo foram Giambattista Bodoni e Claude Garamond, sendo que seus sobrenomes foram utilizados para denominar fontes clássicas e utilizadas com frequência em programas de texto.

Contributo de Giambattista Bodoni



A tipografia era realizada com tipos móveis, sendo baseada em paralelepípedos pequenos feitos de metal com relevos que formavam símbolos, números e letras.
Só no século XV  ocorreu o aperfeiçoamento dos tipos. Johannes Gutenberg, inventor e gráfico de alemão, foi o responsável pelo desenvolvimento de tipos gráficos feitos em metal e pelo aperfeiçoamento da prensa móvel tipográfica. As suas inovações baseavam-se no conceito de reutilização dos tipos e tinham como objectivo compor textos diferentes. Os avanços propostos pelo alemão foram  a base da imprensa por muito tempo e são usados ainda nos dias de hoje.

Com a revolução tecnológica, e com o surgimento de computadores com edição de texto ,deixou-se de utilizar a prensa no entanto, a sua formatação, grafia e o prórpio estilo da tipografia, ainda permanecem.

«Dos quatro aspectos dos quais emana toda a beleza de um caractere, o primeiro é a regularidade. Analisando o alfabeto de qualquer idioma, vamos encontrar não só traços similares num grande número de letras distintas, mas também verificar que podem ser compostas de poucas partes idênticas, combinadas em grupos.
Se tomarmos a média de tudo – o que não serve para distinguir uma letra da outra –, e acentuarmos tão claramente quanto possível as dife­renças mais necessárias para esta distinção, conseguiremos fixar, para determinar a forma de todas as letras, uma ordem e uma regra; surge semelhança sem ambiguidade, variedade sem dissonância, igualdade e simetria sem confusão.
[...] Em segundo lugar vêm a nitidez e o polimento, oriundos da perfeição dos buris e da fundição perfeita dos caracteres. [...] A terceira condição é a escolha das melhores formas, em concordância com o bom gosto, com o espírito da nação e o espírito do século.
A moda reina na escrita como em todas as coisas, impon­do-lhe regras, razoáveis ou não. No entanto, se não houver nenhum motivo melhor e se a moda nos deixar livres, o bom gosto irá orientado pela simplicidade — não a simplicidade grosseira que se mani­festaria em traços uniformemente espessos, mas por uma simplicidade agradável e de boa qualidade, como a que observamos no harmonioso contraste de claro e escuro em todo a caligrafia feita com uma pena bem apontada e firme.
A graça é o quarto e último requisito para com­pletar a beleza do impresso. Sabemos quão difícil é explicar o que há de atraente, encantador e delicioso naquilo a que chamamos «graça». Mas como a graça deve sempre tender a parecer natural e inerente, deve fugir à afectação e ao esforçamento, a ponto de não estar errado procurá-la no que há de mais raro e mais perfeito, no que possa ser o cruzamento dum puro dom de Deus e de uma feliz natureza, embora ela geralmente não seja senão fruto de longos exercícios e do hábito, o qual torna tão fáceis as coisas mais difíceis que, mesmo sem pensar, as realizamos com perfeição.
Um caractere será pois tanto mais belo quanto mais tiver regularidade, nitidez, bom gosto e graça.»(1)


Alguns exemplos de famílias tipográficas famosas:

  • Arial
  • Bodoni
  • Comic Sans MS
  • Frutiger
  • Futura
  • Garamond
  • Gill Sans
  • Helvetica
  • Times New Roman
  • Univers


Conclusão ...



A tipografia é então um dos elementos mais complexos e importantes no trabalho de um designer.
O seu papel é fundamental na criação de uma linguagem visual própria e única possibilitando às pessoas tornarem-se leitores e participantes nas mensagens à qual esta serve. Esta é agora um espectro infinito de possibilidades impressas e digitais existindo um vasto universo tipográfico proveniente de diferentes culturas, formas de pensar, modas e estilos.
Um projecto final de sucesso está sempre aliado à utilização cuidada dos elementos tipográficos: é importante conhecer a família de fontes e sua classificação para conseguir alcançar uma melhor interpretação da mesma. 
Cada designer tem disponível um leque infindável de fontes, mas é comum existirem tipos preferidos, normalmente categorizados como os mais influentes e notórios.
Sendo a tipografia uma das artes visuais tradicionais utilizadas como parte integrante da comunicação, e sendo o designer um mediador entre a sociedade e os seus reflexos visuais, é importante facilitar o elo de ligação entre o que se comunica (e como se comunica) de forma eficaz.

Com isto tudo o que eu queria deixar claro, era que a tipografia pode mudar a forma como vemos/lemos as coisas no sentido que nos transmite ideias e pensamentos, afinal ela é por si só uma forma de comunicar. 
Além disso, queria ainda realçar que, muitas vezes, acabamos por associar certas tipografias a uma marca, empresa, pessoa, etc. Por exemplo, perante a imagem a seguir apresentada, quem não reconhece rapidamente que ela está associada à marca "Mcdonald's" ? E no entanto estamos apenas perante uma letra, mas que tem a si associada uma tipografia cheia de significado e valores ...




Citações 

(1)-   Rare Book Room. http://www.rarebookroom.org/Control/bodtip/index.html, acedido a 5 de abril de 2015

O que é a Infografia ? - Proj. #2


"Toda a informação tem potencial para se transformar numa imagem"

Infografia ou infográficos são um tipo representação visual gráfica, muitas vezes complexa, que facilita a compreensão de um determinado conteúdo - se este surgisse apenas em texto escrito seria difícil de ser entendido. Podemos encontrá-los em manuais técnicos, educativos ou científicos, entre outras publicações. Este é, portanto, um elemento fundamental em todas as esferas do jornalismo (inclusive na televisão onde é cada vez mais utilizado).

Segundo Alberto Cairo - especialista em design e artes visuais, professor de jornalismo na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e antigo director do departamento de infografia na edição “online” do “El Mundo”- a infografia é um “género jornalístico”, mais adequado do que o texto, para transmitir “dados frios”.

A infografia significa então a apresentação visual de dados sejam eles de natureza estatística ou sob a forma de mapas ou diagramas - sendo estas as três formas que a infografia adopta no jornal impresso.
É importante, no entanto, diferenciar a infografia dos recursos gráficos tradicionais (ilustrações) como mapas, gráfico estatísticos, diagramas e a ilustrações pictóricas, pois estes costumam servir como complementos de textos escritos. Já a infografia jornalística é principalmente um meio de informação que combina esses diferentes recursos. Além disso, os infográficos atuam como matérias jornalísticas independentes, não são necessariamente subordinadas à outros textos jornalísticos e por isso têm a capacidade de explicar algo, contar uma história, transmitir informação como uma notícia.
A infografia é assim a aplicação das regras do desenho gráfico para contar algo, sendo apenas mais uma linguagem, outra forma de contar histórias.
"Nem todas as histórias podem contar-se de maneira infográfica, da mesma forma que nem todas as histórias se podem contar bem em texto.
Não se pode contar uma história com interesse humano através de uma infografia. No caso do acidente de metro que houve em Valência onde morreram 42 pessoas, a infografia não permite contar como as famílias das vítimas experimentaram a tragédia. Por outro lado, a infografia é muito melhor para explicar por que é que o comboio descarrilou, por que chocou, onde chocou, quanta gente morreu, quanta gente está viva. A infografia é muito melhor para transmitir os dados frios, os dados duros."(1)
Infográficos são então uma forma de representar visualmente a informação. Esses gráficos são usados onde a informação precisa de ser explicada de forma mais dinâmica podendo utilizar a combinação de fotografia, desenho e texto.
"Tudo deve ser explicado, esclarecido e detalhado - de forma concisa e exata, numa linguagem tanto coloquial e direta quanto possível [...] A apreensão pelo leitor deve ser fácil, clara e rápida. [...] A rigor, tudo o que puder ser dito sob a forma de quadro, mapa, gráfico ou tabela não deve ser dito sob a forma de texto."(2)

Ou seja, o infográfico busca uma forma mais fácil e clara de comunicar uma informação.
Dependendo dos jornais, e claro dos países nos quais estes se encontram inseridos, o infografista pode ser considerado jornalista ou desenhador gráfico. Nos jornais mais avançados, e portanto naqueles que produzem a melhor infografia do mundo, os infografistas são jornalistas - é o caso do “New York Times”, do “El Mundo” e do “El Pais”. Neste sentido, um infografista é um jornalista que pensa a informação de modo visual e não só textual.

Infografia produzida pelo "New York Times"



O que não é infografia

Como já referi anteriormente nem todas as ilustrações são infografias embora as infografias as possam conter. Obras de arte e diagramação também não o são. No entanto a infografia pode influenciar a diagramação ocupando, muitas vezes, uma página inteira ou duas. Na mesma linha de pensamento pode-se dizer que gráficos, tabelas ou mapas ilustrados para serem considerados infografia têm que permitir passar uma determinada informação e responder às questões básicas do jornalismo: "o quê?"; ""Quem?"; "Quando?"; "Onde?"; "Como?" e "Porquê?".

Exemplo de um gráfico que NÃO é infografia por si só


A relação entre a infografia e o jornalismo

A infografia, sendo muito usada no ramo do jornalismo, pode ser mais ter as suas características mis centradas na informação ou no visual. Esta distinção depende do facto de ter sido criada por um jornalista ou por um designar gráfico (respetivamente).
Caso seja criada por um jornalista este deve apurar e organizar a informação que vai ser apresentada na composição que irá originar o infográfico, assim, este profissional deve recolher a informação tendo em mente como quer que elas sejam apresentadas visualmente. como tal, é indispensável que este conheça as ferramentas de edição de modo a saber as suas capacidades e limitações (mesmo que, posteriormente, a infografia vá ser elaborada pelo designer gráfico se o jornalista tiver estas noções conseguirá muito mais facilmente recolher informações que sejam realmente pertinentes para a elaboração, podendo ainda orientar melhor o designer durante essa elaboração).

Exemplo de infografia do jornal "Global Daily"


A origem e evolução da infografia

  • Os recursos usados na infografia têm a sua origem na pré-história. Os primeiros mapas foram criados milênios antes do aparecimento da escrita. Os mapas mais antigos que se conhece foram encontrados na cidade de Çatal Hüyük, na Turquia, e datam de 6200 a.C., tendo sido pintados numa parede.

Mapas encontrados na cidade Çatal  Hüyük

  • Em 1626, Christoph Scheiner publicou a chamada "Rosa Ursina sive Sol", que continha vários diagramas para mostrar a sua pesquisa sobre o sol. 
Rosa Ursina sive Sol

  • Em 1786, William Playfair criou uma variedade de gráficos estatísticos que são usados até hoje - no seu livro "The Commercial and Political Atlas" pode-se encontrar gráficos que representam a economia do século XVIII na Inglaterra.

  • Em 1857 a enfermeira, de nacionalidade inglesa, Florence Nightingale convenceu a rainha Vitória a melhorar as condições nos hospitais militares a partir do uso de gráficos informativos da importância dos mesmos.

  • Já Leonardo da Vinci elaborou desenhos anatômicos extremamente detalhados sobre o corpo humano. Entre 1510 e 1513, estudou fetos, de que resultaram obras que podem ser consideradas infografias de grande complexidade.

  • Em 1861, Charles Joseph Minard criou um importante infográfico sobre a marcha de Napoleão sobre Moscou - um exemplo pioneiro de como muita informação pode ser sintetizada para se tornar mais inteligível.
Infográfico de Charles Joseph Minard

  • Em 1932 , Harry Beck projetou o mapa topográfico de metro de Londres. Inspirado na simplicidade de diagramas de engenharia , Beck projetou o mapa que seria o paradigma para os mapas de transporte público que vieram em seguida.
Mapa topográfico do metro de Paris - criado por Harry Beck em 1951

  • A partir do século XIX, a difusão de técnicas de impressão trouxe uma crescente facilidade no que toca à utilização de desenhos e fotografias nos jornais.

  •  Em 1980 surgiu a digitalização de dados o que mudou muito a infografia.

  • Com o surgimento da interface gráfica - a partir da chegada dos Macintosh e do Windows 95 - as possibilidades visuais no jornalismo aumentaram, e, mais tarde, com a invenção de programas de interface gráfica para a criação de sites - que agregavam medias e recursos visuais numa única plataforma - a infografia tornou-se, definitivamente, uma maneira eficiente de tratar a informação.

  • Finalmente, com o aparecimento do Adobe Illustrator, em 1995, tudo se tornou mais fácil devido ao desenho vectorial que este programa trazia de novo. Este foi assim um ponto de viragem na evolução da infografia.

Citações 

(1) -  JPN. http://jpn.up.pt/2006/07/11/infografia-nao-e-uma-linguagem-do-futuro-e-do-presente/, acedido a 5 de abril de 2015.
(2) - Penta2. http://penta2.ufrgs.br/edu/ImagemEduc/o_infogrfico.html, acedido a 6 de abril de 2015.