terça-feira, 5 de maio de 2015

Exemplo de Infografia: "Popular Science magazine" - Proj. #3

Encontrei um, exemplo que gostei muito, de uma infografia publicada numa revista científica. 
Esta foi publicada na revista "Popular Science magazine" para auxiliar na compreensão do artigo "138 YEARS OF POPULAR SCIENCE". 







Após alguma pesquisa consegui encontrar a explicação do autor desta infografia e resolvi partilhar. 

"The graphic is anchored by a kind of molecular chain – decade clusters in turn contain year clusters. Every atom in these year clusters is a single issue of the magazine, and is shaded with colours extracted from the issue covers via a colour clustering routine. The size of the issue-atoms is determined by the number of words in each issue.
Surrounding this chain are about 70 word frequency histograms showing the issue-by-issue usage of different terms (like ‘software’ or ‘bakelite’). I used a simple space-filling algorithm to place these neatly around the molecule chain, and to stack them so that one histogram begins shortly after another ends. This ended up resulting in some interesting word chains that show how technology has progressed – some that make sense (microcomputer to e-mail) and some what are more whimsical (supernatural to periscope to datsun to fax).

Picking out interesting words from all of the available choices (pretty much the entire dictionary) was a tricky part of the process. I built a custom tool in Processing that pre-visualized the frequency plots of each word so that I could go through many, many possibilities and identify the ones that would be interesting to include in the final graphic. This is a really common approach for me to take – building small tools during the process of a project that help me solve specific problems. For this visualization, I actually ended up writing 4 tools in Processing – only one of which contributed visually to the final result.


My working process is riddled with dead-ends, messy errors and bad decisions – the ‘final’ product usually sits on top of a mountain of iterations that rarely see the light of day. To give a bit of insight into the steps between concept and product, I’ve put together a Flickr set showing 134 process images that came out of the development of this visualization."

Como se pode perceber fazer uma infografia é um processo demorado e complexo, exige esforço e dedicação. Mesmo para um profissional é algo complicado de fazer: existem erros, más decisões que precisam de ser corrigidas, dúvidas na altura de se fazer as escolhas. No entanto, o resultado final tem sempre que transmitir algo enquanto um todo constituído por diversas partes e nada é escolhido ao acaso: tudo tem um significado e uma razão de ser, tudo está conectado e interligado de algum modo para transmitir a informação.

Exemplo de Infografia dinâmica #1 - Proj. #3

Durante as pesquisas que realizei encontrei esta página criada por portugueses e que é um fantástico exemplo de uma infografia dinâmica. Esta proporciona uma visualização interactiva das relações entre os membros de Governos de Portugal com diferentes empresas e grupos e denomina-se "Um ecossistema POLÍTICO-EMPRESARIAL". 
Achei fantástica porque, na minha concepção, está bem idealizada: é simples, diferente, explica bem a informação, é dinâmica e permite uma compreensão rápida e eficaz daquilo que quer transmitir. Tirei um print screen para terem uma ideia de como é: 

Exemplo do que se pode visualizar na página

Vejam a página e espero que gostem tanto como eu !

Exemplo de Infografia: "The Guardian" - Proj. #3

Depois da pesquisa teórica dediquei-me à pesquisa de exemplos concretos de infografias.
Comecei por explorar a do jornal "The Guardian" pois este é reconhecido por criar bons exemplos infográficos.
Deixo o resultado:


Infografia do "The Guardian" relacionada com a pobreza infantil


O "The Guardian" tinha lançado um desafio denominado "Energy saving challenge" e apresentou os resultados com recurso a uma infografia


Outro desafio lançado pelo jornal ("Your country needs you") cujo resultado foi apresentado num infográfico


Mais um desafio ("Recycling Challenge") mais um infográfico


Infografia informativa: Como usar a tecnologia para optimizar a eficiência


Infografia informativa: Como entregar mais bens com menos emissões 


O Jornal Inglês fez um Top 7 com as melhores infografias escolhidas por designers. No Top constam exemplos de diversos tipos relacionados, todos eles, com temas distintos. Deixo alguns dos escolhidos, caso queiram ver mais cliquem aqui.




Esta foi a escolha de David McCandless,  e desgina-se "Snake Oil Supplements? Scientific evidence for popular health supplements"









Escolha de Angus Hyland,: "Losses of the French Army in the Russian Campaign 1812-1813"


Escolha de Alex Breuer - director creativo do jornal: "Thatcher’s Legacy: Britain in 1979, 1990 and today"






Escolha de Jeremy Leslie: "New York magazine’s Approval Matrix"


E porque nem toda a infografia é útil o "The Guardian" fez também um Top 16 com as mais inúteis, ou seja, apresentou as infografias que no fundo não nos dizem nada. Como achei muito interessante resolvi partilhar, até porque convém termos noção que nem sempre se pode/deve/faz sentido recorrer-se a este método. Além disso  penso que é sempre bom compararmos os bons com os maus exemplos. Deixo aqui alguns dos infográficos que constam no top, caso queiram ver os outros cliquem aqui.















Quando usar a Infografia - Proj. #3

Depois de entender no que consiste a infografia importa entender quando se deve utilizá-la, e foi esse o objectivo das próximas pesquisas que aqui apresento:



Quando devemos utilizar a infografia ? 


A principal função da infografia, como já vimos, é a de facilitar a comunicação, facilitar a compreensão dos leitores, permitir uma visão geral dos acontecimentos e detalhar informações que sejam menos familiares a esse mesmo leitor.

É perceptível que os acontecimentos de grande magnitude – tais como guerras, catástrofes e descobertas científicas – merecem um tratamento infográfico de maior dimensão nos meios de comunicação. 

Existem então situações em que o jornalista deve usar a infografia: quando não há fotografias referentes à notícia ou quando as existentes não passam informação suficiente; quando a notícia ainda tem diversas incógnitas (pormenores por descobrir); para dar uma explicação mais detalhada; para mostrar o interior de uma construção; para explicar algo relativo a um desporto específico; para transmitir informação relativa a fenómenos espaciais ou naturais; para destacar determinados detalhes; para divulgar fatos culturais (como um concerto); para apresentar um estratégia usada por um grupo militar; para aconselhar/ alertar a população para os perigos de certos comportamentos e decisões; para comparar tamanhos e dimensões; entre muitas outras situações.

Segundo Jordi Clapers se a síntese de uma notícia for o conteúdo do infográfico então qualquer tema jornalístico pode ser infografado.  


E o que é um bom infográfico ? 

Um bom infográfico é aquele que:

  • cria um sentido independentemente da matéria com a qual vai trabalhar;
  • consegue aliar a infografia ao texto sem ser redundante;
  • procura sempre outra outra perspectiva, outro modo de dizer as coisas;
  • procura ajudar o leitor a compreender o conteúdo da notícia 
  • procura permitir uma leitura facilitada.


A missão do infografista pode ser resumida à ideia que se tem que: ‘Informar com Impacto’. 
Para isso tem que se ultrapassar diversas dificuldades: se a infografia atrapalhar a mensagem do cliente então houve uma falha; se o leitor não conseguir capturar a informação em segundos então houve uma falha. Neste sentido, não importa que a infografia seja muito trabalhada e atrativa visualmente mas que haja uma conexão entre o olho e o cérebro que não atrapalhe o entendimento.

Por fim, Richard Saul Wurman, designer gráfico, diz que “o reino do entendimento é governado por um imperador, o Infográfico”. E que na infografia a complexidade é vista com mais clareza, o tempo é feito para ser parado e observado numa linha de tempo (time-line), coisas de valores incomparáveis tornam-se comparativas e passíveis de serem analisadas e, por fim, as localidades tornam-se orientáveis.

A Infografia no mundo jornalístico #2 - Proj. #3

Continuando com a infografia aplicada ao jornalismo, deixo aqui mais algumas considerações :

A infografia e o jornalismo

Os jornais impressos permitiram a popularização da apresentação da informação sob a forma gráfica. Nesse sentido, a importância da infografia aumentou pois começou a ser utilizada como um complemento para melhor explicar alguns pormenores do texto.

Segundo De Pablos um marco muito importante para o desenvolvimento da infografia no jornalismo a nível mundial foi a Guerra do Golfo Pérsico. Como não existiam fotografias para adicionar informação criou-se a necessidade de usar algo mais para complementar a notícia. De Pablos já destacava, no início da década de noventa, que a infografía é uma forma de expressão informativa renovada. Para ele, através do uso da infografía, é possível “tentar contar uma história com feitio gráfico”.

O conceito de Infojornalismo apareceu com o começo do uso do diagrama pela maioria dos jornais.

Jordi Clapers, chefe de infografia do jornal El Pais, considera que um infográfico é uma representação visual e sequencial de notícia, informação, facto, acontecimento ou tema jornalístico.

Já para Raymond Colle um infográfico é uma unidade que utiliza combinação de códigos icónicos e verbais para dar uma informação ampla e precisa, para a qual um discurso verbal resultaria numa composição muito mais complexa e que iria requerer mais espaço.

Deste modo a infografía jornalística é uma forma de comunicação onde existe a predominância das imagens sobre o texto. Esta é composta quer por elementos icónicos quer tipográficos que, associados, tornam mais fácil o entendimento das notícias. A infografia permite assim realçar os seus aspectos mais significativos do texto informativo ou mesmo substituí-lo.

Mariana Minervini e Ana Pedrazzini também entendem que a infografia é uma nova – ou recuperada – forma visual de apresentar uma informação:
Ao possuir como eixo principal à imagem e como fio condutor o
texto- sempre sumário -, ela ambiciona explicar de forma resumida
a essência da informação. A infografia é empregada, no
jornalismo atual para descrever um processo, uma seqüência ou,
ainda, para explicar um mecanismo complicado visualizar ou
dimensionar um fato. Não obstante, não surge com a intenção de
substituir a fotografia, mas sim complementar a informação dos
outros elementos tanto gráficos como textuais da página. A função
dos gráficos informativos consiste em aportar dados de forma
atual e dinâmica ao leitor para uma fácil e imediata compreensão
da notícia. Portanto, é necessário alcançar um equilíbrio entre o
aspecto estético e o conteúdo, que deve ser claro, sintético e
preciso. (1).

Dondis afirma mesmo que não é difícil perceber que o Homem tem tendência à informação visual:
Buscamos um reforço visual de nosso conhecimento por muitas
razões; a mais importante delas é o caráter direto da informação, a
proximidade da experiência real. Quando a nave espacial Apolo
XI alunissou, e quando os primeiros e vacilantes passos dos
astronautas tocaram a superfície da lua, quantos dentre os
telespectadores do mundo inteiro que acompanhavam a
transmissão do acontecimento ao vivo, momento a momento,
teriam preferido acompanhá-la através de uma reportagem escrita
ou falada, por mais detalhada ou eloquente que ela fosse? Essa
ocasião histórica é apenas um exemplo da preferência do homem
pela informação visual. (2)

Para Peltzer a história do jornalismo visual está relacionada com a história das tecnologias que
propociunaaram a utilização do visual como linguagem informativa. Kirsh concorda e afirma ainda que os jornais combinam efeitos visuais facilitar a leitura:
Os computadores permitiram que os designers utilizassem novas
técnicas gráficas (...) algumas dessas características foram introduzidas nos jornais
porque os leitores modernos são impacientes e esperam obter mais
informação visual - por meio de fotos, gráficos, mapas, diagramas
- tanto como através do texto. (3)

Alguns autores, como Peltzer, dividiram em grupos os géneros específicos para distinguir os conteúdos das mensagens jornalísticas iconográficas. Peltzer propõe então uma divisão em sete grupos (seis estão relacionados com o jornal impresso):

  1. Gráficos - representação visual de uma informação, consistindo numa ou várias correspondências entre uma de conceitos variáveis e uma invariável. Subdividem-se em: Diagramas (lineares, circulares, ortogonais, tabelas etc.) e Organogramas (representação gráfica das relações existentes numa organização);
  2. Infográficos - expressões gráficas, mais ou menos complexas, de informações cujo conteúdo são fatos ou acontecimentos. São usados como explicação de como algo funciona ou até de como é uma coisa]; 
  3. Mapas - representação geográfica da terra ou de parte dela numa superfície plana 
  4. Símbolos - representação de objectos, pessoas, animais, profissões, desportos, condutas, religiões,  entre outro, através de grafismos, silhuetas, figuras, ícones, marcas, entre outros;
  5. Ilustrações - representações gráficas de pessoas ou coisas; 
  6. Comic informativo - é uma adaptação da linguagem das histórias de banda desenhada à informação de fatos reais.
A infografia pode possuir texto, mapas, time-line, gráficos, entre outros. Ou sejam os grupos anteriores podem ser postos ao serviço da infografia basta que para isso se complementem uns aos outros, articulando-se entre si.

Como já referi no post anterior a estrutura básica de uma infografia deve conter um título, texto, corpo e fonte; deve responder às questões básicas de construção da notícia e ainda conter elementos de uma narração. O título deve expressar o que está na inforgrafia; o texto serve para fazer compreender sem ser redundante à matéria; o corpo é a própria informação visual – as imagens, as fotos, entre outros; a fonte é o que garante a fidelidade e veracidade da informação.


Para Valero Sancho existem dois tipos de infografias:

  • As individuais - são aquelas que apresentam características essenciais de uma única infografia, tratam de um único assunto;
  • As colectivas - são aquelas em que se combina mais do que uma infografia para construir várias facetas de uma informação.
O autor defende ainda que existem quatro classes básicas de infografias:
  • As comparativas - são utilizadas quando têm com o objectivo de comparar vários elementos ou alguma das partes desses elementos. Usa recursos gráficos de forma a transmitir uma informação visual rápida dos elementos ou variáveis em estudo; 
  • As documentais - são utilizadas com o objectivo de explicar características, ou até para ilustrar acontecimento ou ações;
  • As cénicas - são utilizadas para mostrar como ocorreu um acontecimentos ( um acidente, atentado, uma acção de guerra, entre outras.)
  • As localizadoras - são utilizadas aquelas para situar a informação ou indicar o espaço onde um acontecimento ocorreu/ocorrerá. Nestas, normalmente, usam-se mapas.

Devido ao desenvolvimento acelerado da infografia não é possível garantir que estas classificações sejam definitivas: a criatividade associada à funcionalidade visual deste recurso vai continuar a expandir as suas formas de representação.

Concluindo, pode-se inferir que a infografia jornalística é um género específico informativo. A infografia é uma linguagem jornalística que inclui códigos linguísticos, icónicos, fotográficos de diagrama ou estéticos (Pelrzer). Esta resulta da complementação entre a linguagem verbal e visual. Para esta a linguagem visual é mais sucinta, apresentando a compreensão do conjunto (Raymind Colle).
Na infografia o texto e a imagem fundem-se, dando origem a um significado. Esta consiste numa nova forma de narrar factos permitindo que estes sejam explicados com maior clareza e facilidade do que através do texto no seu estado puro. São por isso utilizadas como um instrumento ao serviço do jornalismo, ou seja, como uma forma de narrativa que não tem apenas como função complementar, esteticamente, a página de um jornal.




(1) - Revista Latina de Comunicación Social. http://www.ull.es/publicaciones/latina/20042058minervini.pdf, acedido a 5 de Maio de 2015.

(2) -  DONDIS, Donis. A Sintaxe da Linguagem Visual. São Paulo: Martins Fontes. 1991

(3) -  Metacognition, Distributed Cognition and Visual Design. http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.258.9716&rep=rep1&type=pdf, acedido a 5 de Maio de 2015.

A Infografia no mundo jornalístico #1 - Proj. #3

A 3ª e última proposta de trabalho tem como tema a "Infografia jornalística".
Já aqui falei sobre este grande tema aquando da 2ª proposta mas hoje resolvi explorá-lo, mais detalhadamente, especialmente no que toca à sua ligação com o mundo jornalístico.



As contribuições da infografia para o jornalismo 


A infografia consiste na representação visual da informação e explora gráficos, mapas, tabelas, textos, imagens 3D ou até imagens em movimento para explicar determinado assunto. É utilizada em diversos meios de comunicação: audiovisuais (televisão), impressos (jornais e revistas) e hipertextuais.

Esta assemelha-se com uma reportagem: a estrutura contempla (ou deve) título, texto, corpo e fonte, além de responder às questões básicas do jornalismo (o que, quem, quando, como, onde e porquê)

 A infografia deve então facilitar a compreensão das informações, realizar comparações, descrever processos complexos (bolsa de valores, crise econômica) podendo acompanhar ou substituir o texto.

Esta permite expressar mais do que uma imagem: uma informação jornalística na qual se demonstram factos reais. Um infografista deve ser um jornalista que pensa visualmente .

“ As infografias se estabeleceram na imprensa ocidental como uma ferramenta de trabalho, e já habitual desde então, como um renascimento ou potencial gênero narrativo em pleno campo do jornalismo visual impresso, tão pouco desenvolvido até então .” (De Pablos, 1991)

 Esta permite o uso de cores, textos curtos e gráficos sendo que, os seus dados são notícia.

 “ Este tipo de infografia em base de dados funciona, entre outras características, como um instrumento de análise da informação , distinto do que a literatura sobre infografia demonstra: de ser uma leitura rápida e simples de ser compreendida” (Rodrigues, 2009)

A infografia no jornalismo permite ao leitor compreender, visualmente, a informação ou conceitos complexos de interpretar. 
Existem diversos géneros de inforgrafia: 

  • Informativa - quando é usada para auxiliar à compreensão de uma notícia, reportagem ou entrevista; 
  • Opinativa - quando é usada num editorial, comentário, artigo, coluna, crónica ou carta;
  • Interpretativa - quando é usada num dossier, perfil ou cronologia 
  • Utilitária - quando é usada para transmitir informações sobre órgãos governamentais, empresas, instituições, países, etc; 
  • De cotação - quando é usada para expressar dados relativos à variação de mercados: monetários, industriais, agrícolas. 
  • De roteiro - quando é usada para dar dicas de espectáculos, programação de rádio, tv ou cinema;
  • De serviço - quando é usada para transmitir informação ligada à protecção dos interesses dos usuários dos serviços públicos, bem como dos consumidores de produtos industriais ou de serviços privados.

A infografia, seja ela de que género for, remete, acima de tudo, para uma linguagem informativa jornalística independente sendo, por si só, o género jornalístico que explora mais eficazmente os recursos da web.

Memória descritiva #2 - Proj. #2

“Typography is the craft of endowing human language with a durable visual form.” (1)
Na unidade curricular de Design e Comunicação Visual foi-nos proposta a realização de uma segunda  proposta de trabalho na qual fomos desafiados a “entender a letra como matéria visual de representação fónica e como grafismo autónomo da sua função textual; reconhecer a capacidade de materializar conceitos, “dar forma” como uma característica da atividade humana; entender a importância dos estudos de composição como forma de conhecimento específico necessário à produção de discursos visuais” e ainda a “entender a relação entre o universo tipográfico e o universo infográfico”.
Nesse sentido tinhamos que desenvolver uma “infografia apenas recorrendo a elementos tipográficos”. Nessa composição a letra tinha que desempenhar um papel estético e simbólico estando sempre associado ao seu valor semântico. O texto escolhido não devia ultrapassar as 500 palavras.
Após realizar uma pesquisa e várias recolhas fotográficas chegou o momento de escolher o artigo para a concretização da proposta. Decidi que queria fazer sobre uma notícia visto que este género de artigo se encontra directamente relacionado com o curso que frequento e, como tal, seria uma mais valia começar a tentar interpretar este tipo de texto de modo diferente -  até porque a infografia é cada vez mais um “género jornalístico”. Rapidamente percebi que queria uma notícia que tivesse um alcance e interesse mundial, que estivesse envolta em sentimentos e emoções pois assim seria muito mais interessante e desafiador tentar representá-la. Queria ainda uma notícia que me permitisse passar uma mensagem forte de consciencialização para o mundo e para a realidade que nos rodeia.  Nesse sentido escolhi uma notícia que encontrei online no seguinte link: http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/internacional/terrorismo-atentados-que-assustaram-o-mundo/;  e que transcrevo a seguir:

Terrorismo: atentados que assustaram o mundo
Na segunda-feira, o terrorismo voltou a assustar o mundo. Mais de 38 pessoas morreram e outras 60 ficaram feridas em atentados perpetrados por duas mulheres-bomba em estações centrais do metrô de Moscou. O governo russo acusa grupos separatistas do Cáucaso do Norte de planejarem os ataques – apesar de nenhum grupo ter assumido a autoria das ações até o momento.
O primeiro grande atentado do século XXI ocorreu em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. Na ocasião, o país mais poderoso do mundo viu ícones de sua identidade nacional serem alvejados com desconcertante facilidade. Dois aviões sequestrados por terroristas da rede Al-Qaeda puseram abaixo as torres gêmeas do World Trade Center. Uma terceira aeronave foi lançada sobre o Pentágono, sede do poder militar dos EUA, nos arredores de Washington. No total, mais de 5.000 pessoas morreram. Os ataques mudaram a cara do terror internacional.
Em 2004, o 11 de março teve para os espanhóis o mesmo peso que o 11 de setembro teve para os americanos – o dia da infâmia terrorista. Naquela data, uma série de bombas explodidas em trens metropolitanos matou mais de 200 pessoas e deixou quase 1.500 feridos em Madri. Foi a maior carnificina numa grande capital europeia desde a II Guerra Mundial. O crime monstruoso, perpetrado contra vítimas inocentes a caminho do trabalho, deixou uma dúvida: o autor. Inicialmente, o governo espanhol acusou o grupo separatista basco ETA. Mais tarde surgiram indícios de que se poderia tratar de nova investida dos fanáticos da Al Qaeda.
O ano de 2004 também marcou o terrorismo na Rússia. O assalto a cerca de 1.200 inocentes aconteceu em Beslan e teve início quando três dezenas de terroristas invadiram o ginásio de uma escola, onde pais e alunos comemoravam o primeiro dia de aula do ano letivo russo. A ação terrorista durou três dias e só terminou quando forças policiais russas mataram a maioria dos terroristas e libertaram os reféns sobreviventes. Em uma primeira contagem foram encontrados mais de 200 mortos, incluídos os adultos. Mais de 700 feridos foram atendidos em hospitais e tendas médicas improvisadas. O ataque foi perpetrado por terroristas chechenos e árabes.
Um ano mais tarde foi a vez de Londres. Em julho de 2005, uma série de bombas no sistema de transporte público da capital londrina acrescentou nova data ao calendário da infâmia. Foram quatro explosões, três delas em trens do metrô e a última no interior de um ônibus. Detonados de forma coordenada no horário de maior movimento na área central da cidade, deixaram mais de 50 mortos e 700 feridos, muitos em estado grave. Londres constituiu-se em alvo óbvio por reunir características que o fundamentalismo muçulmano abomina. Um grande centro financeiro mundial, síntese do Ocidente e do capitalismo moderno, metrópole cosmopolita, tolerante com a diversidade humana e berço da democracia. Por fim, o governo inglês foi o único dos grandes da Europa que seguiu o ex-presidente americano George W. Bush no Iraque.
Em um dos atentados mais recentes, a Índia foi o palco do terror. Em 2008, um grupo de cerca de trinta terroristas espalhou-se pela área turística de Mumbai num frenesi de massacres em pontos diferentes da cidade. Por fim, os terroristas se entrincheiraram em três locais: os hotéis Taj Mahal e Oberoi-Trident, os mais luxuosos da cidade, e em um centro religioso judaico localizado em uma galeria comercial, fazendo centenas de reféns. O saldo final ultrapassou os 200 mortos e 400 feridos.”
Esta notícia prendeu-me desde logo a atenção pelo seu título forte e sensacionalista. É um conteúdo noticioso que não deixa ninguém indiferente e era exactamente isso que eu procurava.
Após várias tentativas de representação infográfica, utilizando apenas elementos tipográficos, este foi o resultado final:



Resolvi destacar várias palavras presentes neste artigo de origem jornalística por acreditar que estas “resumiam” o teor do mesmo: terrorismo; atentados; ataques; bombas; carnificina; crime monstruoso; terroristas; invadiram; massacres; terror; infâmia; vítimas inocentes; mataram; explosões; palco de terror; Al-Qaeda. Como a tipografia não abrange só letras resolvi também seleccionar alguns números que remetem para as vítimas mortais e para os anos no qual ocorreram os atentados: 2001; 2004; 2005: 2008; 50 mortos; 200 mortos e 5000 morreram. Apesar de considerar que todos estes elementos tipográficos caracterizam bem o teor do artigo resolvi salientar alguns pela sua relevância. Deste modo destaquei as datas nas quais ocorreram os genocídios e as palavras  “carnificina”, “massacres”, “terror” e “Al-Qaeda”.

Escolhas ao nível da tipografia
"O texto do título é muitas vezes o elemento tipográfico mais importante na composição, uma vez que atrai rapidamente a atenção do autor potencial pela sumarização do conteúdo". (4)
Ao longo das pesquisas que efectuei deparei-me com esta afirmação e percebi que se tivesse que seleccionar uma só palavra para definir esta notícia seria “massacre”. Acima de tudo por ser uma palavra forte, que causa impacto e que nos remete para mil ideias e sensações. Como tal, resolvi usar esta palavra como se fosse o título da minha composição e centralizei-a, de modo a conferir-lhe um maior destaque.
"O alinhamento centralizado é usado mais efetivamente com (...) grandes títulos ou cabeçalhos, como em cartazes". (4)
Além disso, e para intensificar ainda mais, escolhi uma fonte que dá a sensação que os caracteres foram escritos a partir de sangue. Assim, pretendia realçar a violência dos actos terroristas e a desumanidade a eles associada. Como queria evidenciar o termo “massacre” achei que todos os outros deviam estar associados a outra(s) fonte(s). Assim, escolhi três fontes distintas para a realização desta composição. A do “título”, como já referi, foi eleita por sugerir sangue enquanto que, as outras duas, foram seleccionados por encaminharem para a ideia de arrasamento e de exterminação.
"(...) Os títulos são submetidos a kerning e a espaçamento entre letras muito mais do que os blocos de texto. Isso força as letras a se agruparem oticamente em manifestações visuais mais fortes". (4)
As duas fontes utilizadas nas palavras possuem um espaçamento entre cada caractere grande para produzir um impacto visual mais forte e para criar a ilusão que tudo está agrupado e relacionado entre si.
"A maior vantagem para a composição não justificada é a capacidade de controle do espaço entre palavras (…) O espaçamento entre palavras é também mais apertado (…) para obter maior legibilidade e impacto visual". (4)"O espaço entre palavras mais apertado dá mais rapidez ao processo de leitura e permite que o leitor absorva pensamentos e frases em vez de palavras isoladas, o que ajuda a manter mais altos os níveis de compreensão". (4)
Reuni todas as expressões do “corpo do texto” de modo aleatório de forma a representar a confusão, o pânico e o desespero que os ataques terroristas provocaram. Com isto pretendia estimular o pensamento de quem visualizasse a composição, captando assim a sua atenção e o seu olhar. As palavras encontram-se meias destruídas para simbolizar a destruição.
"(...) o kerning mais apertado facilita ao cérebro reconhecer os grupos de letras como palavras, o que resulta em uma leitura mais rápida e fácil". (4)
Como já referi usei três fontes todas elas diferentes. Já justifiquei duas delas, faltando-me a que usei nos números, ou seja, nas datas em que os atentados ocorreram. Neste caso optei por uma fonte que produzisse a ideia estilhaços e, consequentemente, de explosões. Esta fonte permite ainda que cada caracter seja interpretado como sendo uma só palavra, ou seja, como um todo.
Apesar das três fontes serem distintas entre si possuem pontos comuns proprositados: nenhuma possui caudais ou bandeiras, serifas ou ganchos pois estes são considerados "acréscimos elegantes" o que não simboliza, de todo, o teor da notícia.
"O modo como o olho e o cérebro humanos percebem, processam e interpretam a informação visual proporciona uma base sólida para os fundamentos do design de tipos". (4)
Escolhas ao nível da cor

“Uma vez satisfeitas as demandas de legibilidade e de ordenação lógica,a homogeneidade da cor é o objetivo mais comum almejado pelo tipógrafo.E isso depende de quatro fatores:o desenho do tipo, o espacejamento das letras, das palavras e das linhas. Nenhum é independente do outro” (1)
Depois de criar a composição surgiu o problema das cores que queria utilizar. As cores têm um poder imenso, transmindo por si só ideias, valores e pensamentos. A cor reveste-se assim de importância pela sua dimensão própria e pela sua capacidade de deliniar áreas. Quando visualizamos seja o que for a cor actua sobre o nosso cerebro conduzindo o nosso olhar daí que, a escolha das cores a utilizar, fosse um ponto tanto ou mais importante que a escolha da tipografia.
"Discovery of relationships, mediated by the eye and brain, between color agents and color effects in men, is a major concern of a artist". (2)"Colors have dimensions and directionality of their own, and delineate areas in their own way". (2)
Escolhi usar vermelho para o termo principal pois este remete para o fogo e para o sangue que encheram os locais do atentado. Esta cor está associado ao perigo, à agressão, à raiva, à crueldade e à imoralidade. Todos estes adjectivos estão relacionados com o tema da notícia, caracterizando perfeitamente a natureza dos actos. Além disso a nível visual esta é a cor mais dominante de todas sugerindo acção e velocidade graças ao seu carácter intenso e agressivo.
No resto das expressões usadas na composição optei por usar o preto por esta ser a cor da morte, do medo, da negatividade, da maldade, da melancolia, do luto e do vazio.
Já o fundo possui a cor branca de modo a evidenciar as outras cores usadas e por esta estar ligada a sentimentos como a solidão e a fragilidade.
Mais do que isso, a utilização do vermelho e do branco permitiu-me conferir/reforçar o drama inerente ao tema em questão - "Red looks very dark on white, and its brilliance scarcely asserts itself" (2) - enquanto que o preto permitiu-me que as palavras se destacassem por si só - "The eye and the mind achieve distinct perception through comparison and contrast" (2) .
A verdade é que muitas vezes ignoramos o poder da tipografia mas, com esta composição, espero ter conseguido demonstrar a importância que esta pode tomar na compreensão de um artigo - seja ele de que género for. Deste modo pretendia, apenas a partir do uso de caracteres e cores, transmitir algo mais do que apenas informação: transmitir uma mensagem que suscitasse sentimentos e impressões. A notícia na sua totalidade surge no fundo da composição em marca d’água.
“Readers usually ignore the typographic interface, gliding comfortably along literacy’s habitual groove. Sometimes, however, the interface should be allowed to fail. By making itself evident, typography can illuminate the construction and identity of a page, screen, place, or product.” (3)

Citações
(1) – BRINGHURST, Robert.
(2) - ITTEN, Johannes –The Art of Color : The Experience and Objective Rationale of Color. United States of America: Van Nostrand Reinhold Company, 1970.
(3) – LUPTON, Ellen.
(4) – CLAIR, Kate Clair & BUSIC-SNYDER, Cynthia – Manual de tipografia: A História, a Técnica e a Arte. 2ª ed. São Paulo: Bookman Companhia Editora, 2005.